Diário de Bordo: Edinburgh Festival Fringe 2016


Imagem divulgação Fringe 2016 (Edinburgh Festival Fringe Society)


Edimburgo é um destino turístico popular, que cativa seus visitantes pela paisagem montanhosa e histórica, pelos belos parques e pelas centenas de trilhas espalhadas pela cidade. Mas é em agosto que a capital escocesa é literalmente tomada por turistas e amantes da arte, cuja principal atração é o maior festival de artes do mundo: o Edinburgh Fringe Festival.


Nos 294 espaços dedicados à edição de 2016, o visitante pôde conferir 50.266 apresentações de 3.269 espetáculos que variaram entre teatro, contação de história, dança, comédia, cabaré e show de variedades, ópera, musicais, espetáculos infantis, circo e exposições. Isso sem contar uma infinidade de shows e espetáculos de rua diários, espalhados pela famosa Royal Mile (a principal via do centro histórico) e arredores.


O leque de variedades e a quantidade de espetáculos é ao mesmo tempo estonteante e avassalador. É impossível assistir a tudo que o Festival oferece. É preciso planejar, selecionar e ter sorte para fazer as escolhas certas, pois nem sempre variedade e quantidade são certeza de qualidade.


No entanto, não é só o espectador que precisa de sorte. Do outro lado da plateia está o artista torcendo para que algum produtor, programador, agente ou dono de teatro assista e acredite em seu trabalho, convidando-o a firmar futuros projetos. O Fringe é uma grande vitrine tanto para os artistas principiantes quanto para aqueles artistas maduros que estão à procura de novos horizontes. O investimento e esforço desses artistas é fenomenal. Basicamente, eles são responsáveis por toda a produção envolvida, desde o aluguel do espaço à divulgação, além de bancarem todos os custos. É desta forma que o Festival se mantém e consegue oferecer eventos e ferramentas direcionados a artistas, produtores, programadores, olheiros, agentes, agências e organizações culturais e donos de espaços culturais. O grande responsável por promover essa interação é o Arts Industry Office, que por meio de debates, oficinas e encontros proporciona uma oportunidade de compartilhamento de experiências e conhecimento e de “futuros negócios”.


Persistência, paciência, autoconfiança e organização, aliadas à qualidade artística, são essenciais para colher frutos, geralmente, de médio a longo prazo. Ainda que o retorno de todo o investimento e esforço feitos nem sempre seja o esperado e no tempo desejado, o número de artistas inscritos no Festival aumenta a cada ano. Talvez esse seja o indicador de que apesar dos desafios, o Edingburgh Fringe Festival é sem dúvida alguma uma experiência que todos, artistas e não artistas, deveriam passar pelo menos uma vez na vida.


Felizmente, a edição 2016 do Edingburgh Fringe Festival vai para a minha gaveta de experiências vividas. Obrigada companhia teatral Jesus Queen Plays por proporcionar essa oportunidade, que jamais será esquecida.





Juli Azevedo é tradutora, intérprete, professora de idiomas, produtora cultural (de campo) e relações internacionais de eventos culturais, graduada em Artes Cênicas pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais.


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